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CAPÍTULO 1

- Olá, Nanny... Entre para tomar um cafe-

zinho comigo.

- Obrigada, agora não.

- Soube que Rob mandou Joe buscar Dora?

- Soube.

- Lembra-se dela?

- Claro! Sempre foi muito bonita.

- Pelo que diz Rob, está muito mais bonita

ainda.

- Para Rob tudo é extraordinário - disse

Nanny pensativa.

O rapaz não insistiu no assunto, pois sabia

que desgostava Nanny.

A pequena seguiu até o armazém de

Whlople e entrou. A filha deste, Evelyn, recebeu-

a fegremente.

- Que bom que você veio, Nanny...

- Não queria me ver para falar na ida de Joe

em busca de Dora, não é? É só no que se fala

nesta bomba desta cidade!

- Ah! Então já sabe?

- E há alguém que não saiba disso? Você se

lembra da fisionomia dela? Eu me lembro muito

vagamente...

Lembro sim. Dizem que está uma verda-

deira dama! Também... Vivendo no leste, você

sabe como é... - Chega de falar nisso!

- Está bem, querida, não queira aborrecê-la,

Gostaria tanto que você esquecesse Rob. Já lhe

disse tantas vezes que ele não é boa coisa... -

Estou convencida agora. - E Joe? Lembra-se

dele?

- Ora se me lembro! Era compridão, muito

mais alto que Rob quando ainda era guri. Eu e

Rob, que éramos sócios desde que aqui che-

gamos, custeamos seus estudos e sua viagem.

- Rob é muito estranho. Com a melhor mu-

lher do mundo a seu lado, e manda trazer de

longe a tal Dora, para ser sua esposa. Lembro-

me bem que ela e Joe se gostavam, quando

pequenos...

- Isso já foi há muito tempo.

- Bem, você não veio para falar nisso, não é?

- Claro que não. Vim comprar algumas coi-

sas que estão faltando para o rodeio. Faltam

apenas três dias.

- E que tal?

- Parece que este ano o gado aumentou bas-

tante. Acho que começarei a vender.

- E Rob? Dizem que tem um gado muito bem

tratado e numeroso.

- Não sei. Há muito que não vou ao rancho

dele.

- Mas não desfizeram a sociedade, não?

- Por enquanto, não. Penso que não o

faremos.

- Rob ficou muito vaidoso, ultimamente.

- Tem seus motivos. Fêz muito, pela comu-

nidade e todos o admiram.

Nanny escolheu o que queria e deixou guar-

dado para depois alguém buscar. Quando saiu,

sua amiga fitou-a entristecida.

Todos gostavam muito de Nanny, e nin-

guém ficara conformado quando Rob mandara

buscar outra moça para se casar. Afinal, o amor

de Nanny por ele era do conhecimento geral e

consideravam uma patifaria o que ele fizera.

Por outro lado, Dora e Joe, irmão de Rob,

gostavam-se há muito tempo.

No entanto, devido a seu gênio explosivo,

ninguém se atrevia a censurá-lo abertamente.

Rob estava na cabaré de Willie Jewel.

- Olhe quem está passando, Rob... Nanny -

Hum... Deixe-a quieta, William. Anda meio

nervosa.

William começou a rir.

E quando fica assim, é um perigo. Já pensou

se resolve desabafar a raiva?

- Conheço-a muito bem. É muito orgulhosa

para demonstrar seu ressentimento.

Rob falava no assunto com o maior cinismo.

Nisso, entrou o ferreiro da cidade, que mancava

ao andar. Aproximou-se do balcão e ficou de

costas para Rob, propositadamente.

- Olá, Tom - saudou Rob. - Não me viu aqui?

O ferreiro, que estivera evitando falar-lhe,

virou-se vagarosamente.

- Olá! - respondeu, muito sério. E tornou a

ficar de costas. Rob o puxou pelo braço,

exclamando: - Estou falando com você.

- Com que autoridade grita comigo? Será por

eu ser velho e indefeso? Vamos, largue meu

braço e deixe-me em paz. Não quero conversa

com você. Compreendeu?

Aquilo fez com que Rob ficasse furioso e se

retirasse do bar, bruscamente.

Foi até o armazém principal da cidade.

Evelyn fitou-o com indiferença.

— Papai... - chamou - venha atender um

fregues.

E virando-se, dispôs-se a sair pela porta

traseira.

- Espere! - gritou Rob. - Quero fazer umas

compras e...

- Meu pai o atenderá, senhor - murmurou

friamente.

- Mas, o que têm todos? Estão tomando essa

atitude porque mandei buscar Dora, não é? Pois

bem, não me interessa o que pensem ou deixam

de pensar. Faço o que bem entendo! - O que há?

- perguntou o pai de Evelyn, aparecendo.

- Essa imbecil, que não quer me atender. Por

quê? Pago o que compro, como todos fazem.

- Eu o atenderei. Ela tem alguma coisa a

fazer lá dentro.

E a jovem desapareceu.

- Estou furioso com Tom. Imagine que me

virou as costas e disse que não quer falar comigo

Idiota!

- Calma. Não se esqueça que Tom adora

Nanny como se fosse sua filha. E ele pensava,

como todos nós, que vocês iam se casar. Foi por

isso que nenhum rapaz se aproximou dela, e

agora Nanny está a ver navios.

- Não se meta, William... Faço o que bem

entendo!

- Bem, e o que veio comprar, Rob?

- Agora não interessa. Comprarei em outro

lugar.

E dizendo isso, saiu, danado da vida. Wil-

liam calmamente acendeu o cachimbo e não

disse nada.

Rob entrou em outro bar, onde os fregueses

o fitaram com indiferença.

Apenas um se aproximou, convidando-o a

um trago.

- Ola, Jimmy!. .. Sim, aceito o uísque.

Rob olhava alguns homens que se retiravam

do bar.

- imbecis! - bradou.

- Não se irrite. São todos amigos de Nanny,

como sabe...

- Já estou farto dela e de todos os seus ami-

gos!

Calou-se, ao ver a jovem entrar.

- Olá, Nanny - exclamou Jimmy.

Ela o fitou com desprezo e exclamou:

- Não suporto falar com malandros. Detesto

homens que vivem sem trabalhar. Algum dia,

espero que breve, nossa cidade terá um chefe de

polícia e este há de resolver isso. Oh, olá, Rob...

- Olá, Nanny.

- Você precisa aparecer lá no rancho. Faltam

apenas três dias para o rodeio. - Se você estiver

com falta de vaqueiros, avise-me. Mandarei

alguns.

- Pode deixar, meu pessoal ,é suficiente.

Bem, convida-me a beber?

O barman veio atendê-la.

- Nanny - começou Rob - não gosto que ande

por aí, falando de mim. O que disse a Tom è a

Evelyn?

- Não falei nada. Só pedi a todos que evitem

falar de você comigo.

- Se está com raiva porque mandei buscar

Dora, azar! Não tenho que dar satisfações a

ninguém! E estou avisando: vou acabar com a

raça de todo mundo nesta cidade maldita!

- Você não devia beber tanto, Rob. Faz-lhe

mal, devia se comportar melhor, agora que

pensa em casar. Por talar nisso, a garota sabe a

sua idade?

- Não se meta! Não tem nada a ver comigo! -

Eu sei. Mas, devia avisar a ela acerca de sua

idade. Lembre-se que ela sempre amou Joe, que

é muito mais jovem que você.

Rob caiu na gargalhada.

É por isso mesmo que eu o mandei trazê-la.

Sei que eles se viram algumas vezes, mas o im-

portante é que ela se casará comigo, e não com

ele! Quero só ver a cara de Joe!

- Você não passa de um canalha, um mise-

rável covarde! Sei o que estou dizendo, e estou

esperando sua reação. Terei o máximo prazer em

meter-lhe uma bala. Felizmente agora todos

estão vendo o patife que você é!

Rob a fitava, bufando de raiva. Mas nada

fazia, pois sabia que Nanny era a única pessoa

naquela região que o vencia no gatilho.

- Será melhor mudarmos de assunto, Esta-

mos perdendo o controle.

- Foi você quem provocou isso. E não estou

exaltada. Falo com toda segurança: você é um

covarde e algum dia eu o matarei!

Em seguida, ela se virou, retirando-se.

Rob fitava todos ali com ódio, mas ninguém

se atrevia a fazer comentários.

Quando Rob finalmente saiu, o barman co-

mentou com alguém:

- Puxa, Rob escapou de boa! Também, quem

manda provocá-la? Todos sabem que Nanny é

perigosa, quando zangada.

Enquanto isso, a moça fora falar com o fer-

reiro .

- Olá, Tom. O que fez a Rob, para que ele

tenha ficado tão zangado com você?

- Só lhe disse que não quero mais conversa

com ele!

- Não faça isso. Rob não tem culpa de ter se

apaixonado por Dora.

- Ele é um miserável, que enganou a todos,

principalmente a você! Só se interessou por

Dora, quando soube que Joe,a amava. Apenas

para fazer o mal ao irmão, e a você!

- Foi o que eu disse a ele, há pouco. Não sei

como pude gostar tanto dele. Aliás, começo a

acreditar que foi apenas uma ilusão, e não amor,

o que senti por Rob.

- Ainda bem que você caiu na realidade. Rob

mantinha o respeito de todos, porque é um ho-

mem sem sentimentos. As pessoas temiam suas

reações, só isso.

Enquanto se dirigia a seu rancho, Nanny ia

pensando que afinal de contas, não estava tão

magoada com a vinda de Dora. Até pelo

contrário. Sentia-se aliviada por compreender

finalmente que nunca amara Rob.

A raiva que sentira dele, fora simples ferida

de amor-próprio. Nenhuma mulher gosta de ser

posta de lado, mesmo que não ame. Pura

vaidade feminina, nada mais.

Quando chegou ao rancho, o chefe dos va-

queiros perguntou-lhe: - Esteve com Rob,

patroa?

- Sim.

- E é mesmo verdade que ele mandou seu ir-

mão vir, trazendo Dora, para se casar com ele?

Sim. Mas, por favor, falemos em outra

coisa s murmurou a moça.